terça-feira, 26 de junho de 2007

Um Triturador de Casca de Pinheiro


No Sábado estive a reenvasar as orquídeas: Passado o tempo de floração, os vasos estavam cheios de erva daninha e a terra estava compacta. Gastei toda a casca de pinheiro. No fim, arranjei um abrigo com ensombramento para as proteger do Sol.
Mas, a casca de pinheiro...ía fazer falta!
Até era boa para juntar, no contentor de compostagem, onde colocamos os detritos vegetais domésticos e do quintal, para tornar o composto mais leve. E ali ao lado, no pinhal que ardeu, há tanta casca de pinheiro.
O pior é, como triturá-la?
Ontem à tarde peguei no carro de mão e fui ao pinhal enchê-lo de casca de pinheiro. Como os pinheiros já estão queimados há quase três anos, a maior parte já caíu e está a apodrecer e a 'cascareta' solta-se com facilidade.

Enchi o carro de mão, mas não fui para o quintal, fui para o jardim. Espalhei alguns bocados de cascareta sobre a relva. Fui buscar o corta-relva e comecei a passá-la sobre a cascareta. Ainda prendeu duas ou três vezes: Era preciso deixá-la retraçar pouca casca de cada vez!

Não tardou que a caixa do corta-relva ficasse cheia. Despejei-a num saco e continuei. Fazia algum pó, mas nada de especial. Ainda fui buscar outro carro de mão e deu casca de pinheiro para encher o saco, para o contentor de compostagem e dois baldes de reserva.

Até a relva ficou linda!
E ainda beneficiou de alguma matéria orgânica.
No fim levou uma boa rega e (ficou molhada! ):)... parecia nova!

... e tinha 'inventado' um novo
Triturador de casca de pinheiro!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dois Ro(a)lamentos: Uma (AF)Lição

Ontem, seguindo o desafio do Isidro (ex-mecânico de voo), resolvi mudar os rolamentos da roda de trás do Opel ( de 1993), que já há meses anunciavam (à distância) a sua folga: A tampinha de protecção tinha caído e entrou sujidade.

Isso custa-te meia dúzia de euros e é fácil de mudar, disse. Foi coisa que nunca fiz, respondi. É fácil tiras aquele freio da porca, tiras a porca, a roda sai e trocas os rolamentos... insistiu!

Bem, ontem fui à Opel comprar os ditos rolamentos e a tampinha; Foi a 1ª surpresa: para 90 euros faltaram 22 cêntimos. Telefonei ao Isidro: Tinha que desabafar com alguém!

Depois do lanche, meti mãos à obra: Tirei o macaco. Levantei a roda de trás. Tirei o roda. Tirei o freio da porca e desenrosquei-a. Limpei-os. Ficou uma anilha com travamento, tirei-a e limpei-a. A seguir estava um rolamento: como era cónico foi fácil sair. Limpei-o. E agora? Do outro lado haveria outro. Como o carro estava travado com o travão de mão, o tambor nem se mexia! Calcei as outras rodas e destravei o carro. O tambor já rodava, mas não saía porque os calços do travão puxavam-no de novo para dentro. Fui sacudindo até que saiu. Limpei-o. No interior havia muita massa consistente. A massa consistente não pode tocar nos calços nem no local onde estes travam. Tirei o retentor de borracha e o rolamento. Foi fácil! Limpei-os.

Desembalei os rolamentos novos, mas estes eram diferentes: tinham por fora um cilindro cónico. Pois era: Só tinha saído a parte interna dos rolamentos, os cilindros estavam lá dentro. E agora? Eu não tinha saca-rolamentos e a aventura iria ficar por ali!

O carro metia dó com uma pata no ar!

Descobri, no meio da massa consistente, que havia uma ranhura onde se fixava o saca-rolamentos. Experimentei a bater com a ponta da chave de fendas. Nada! Experimentei a bater com a chave inglesa na chave de fendas e pareceu-me que começou a sair. Apoiei a peça e fui-lhe dando até que uma saiu. A outra também!

E agora como é que metia as novas? Se as amolgasse estragaria os rolamentos novos. A peça era muito justa e só entraria à força. Descobri que assentando o cilindro velho no novo podia bater no velho e obrigar o novo a entrar. Entrou! Entraram!

Meti o rolamento de dentro e antes de colocar o retentor cobri-o de massa consistente. Coloquei o tambor. Enchi o interior de massa consistente. Coloquei o rolamento de fora, a anilha, a porca e o freio. Enchi a tampinha com massa e encaixei-a. Com o cilindro do rolamento velho apoiado na tampinha fui batendo até entrar...

CONSEGUI...!

Ingredientes:
Peças: Dois rolamentos cónicos; um retentor; uma tampinha; uma bisnaga de massa consistente; um rolo de papel higiénico.

Ferramentas:
Um alicate; uma chave de fendas; uma chave inglesa
e paciência e persistência q. b.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Tirar a Cortiça

Bem !
A formatação voltou e, com ela, a possibilidade de colar fotografias.
Hoje o que falta mesmo é inspiração.

Então vou contar: Na 4ª-feira, dia 6, fui ajudar um mestre a tirar cortiça.
Quando o sobreiro atinge cerca de 22 cm de diâmetro (70 cm de perímetro) ou mais, pode-se tirar a cortiça em toda a extensão que tenha essa grossura. A primeira cortiça que se tira é chamada 'virgem' e tem pouco valor económico. Tirar a primeira vez a cortiça diz-se 'amansar o sobreiro'. Ao fim de nove anos, geralmente, pode tirar-se de novo a cortiça, esta chama-se 'mansa' e tem um valor apreciável.

A cortiça só pode ser tirada se a árvore estiver viçosa o suficiente para largar a casca sem estragar o entrecasco interior, o que ocorre no início do Verão.

Os mestres tiradores de cortiça têm um cuidado especial em não ferir essa camada interior para não estragar a árvore.


No Domingo, dia 10, amansei o sobreiro junto ao poço da Fonte Ferrenha. Está bonita?


Agora é necessário pintar um '7' em cada árvore para indicar o ano em que a cortiça foi tirada, pois só daqui a nove anos se pode voltar a tirar.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

10 Iludido

Deixei de conseguir formatar o texto e não consigo introduzir fotografias.
Alguém é capaz de me dar uma ajuda.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Seu Nome era: José Manuel

Bem, Ti' Zé Moleiro não era o seu nome.
Chamava-se apenas José Manuel.
Aliás chamavam-lhe Zé Moleirinho, para o destinguir do seu Pai a quem chamavam José Moleiro e esse, sim, pelos vistos, era mesmo moleiro de moinho de vento:
Chamo-me José Manuel
Mas que triste sorte a minha
Chamam-me José Moleirinho
Mas eu nunca fiz farinha.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

As Gerações Anterior e a Actual

Ontem faleceu a Ti' Rosa, última irmã sobreviva do Ti' Zé Moleiro. Fomos com ele visitá-la há poucos meses.
Estava cega há meia dúzia de anos, ia quase nos 97.
É uma geração que termina. Uma geração que sobreviveu a duas guerras mundiais, que passou dificuldades, privações, ... trabalhos!
Uma geração que, com as suas limitações, conseguiu transmitir a Fé à geração seguinte.
Hoje não haverá tantas privações, mas a transmissão da Fé às gerações seguintes não estará mais facilitada. O individualismo e a autosuficiência parecem colocar o homem como o deus de si próprio e o homem parece gostar e querer acreditar nisso.
De facto não haverá maior dignidade do que reconhecer-se, a si e aos outros, como Filhos de Deus.
Mas devemos reconhecê-LO como Criador e Pai.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Um Furo de Água Fresca: A Tenacidade

Quando pagaram as terras ocupadas pela Barragem, os meus sogros compraram um apartamento e foram morar para a Vila de Messines, em 1992. Um rés-do-chão a 200 metros do Centro de Saúde.
Ele tinha 84 anos.
O quintal, nas traseiras do apartamento, era pequeno, talvez uns 25 m2. De início, para além do tanque de lavar a roupa e dos estendais, ainda tinha os vasos de flores da Ti'Piedade, um limoeiro, cebolas, alface, tomateiras, as couves do caldo verde e umas pezeiras de salsa e hortelã. No muro de tijolo, ao fundo, que suporta as terras, fez uns buracos onde plantou umas vides que depois armou em parreiras, que dão sombra para o quintal e uvas deliciosas. Depois fez o furo, o forno, a oficina, acimentou a maior parte do chão e fez um muro a desenhar um canteiro onde pouco mais ficou, para além dos vasos, que as couves do caldo verde, a salsa, a hortelã e o chá da bela-luísa (lúcia-lima).
Mas o que gostava mesmo, era de contar como ele fez o furo, pois demonstra a sua paciência, persistência, resistência, habilidade e inteligência. Fê-lo sozinho, durante meses, com cerca de sete metros de profundidade.
O furo foi feito no canto do lado direito. O solo é de argila vermelha pesada e compacta. As ferramentas foram feitas com varas de eucalipto e canas, com encaixes resistentes para poder trabalhar no fundo do furo, mas fáceis de desengatar para poderem ser desmontadas, ao serem retiradas. Uma tinha na ponta uma lâmina em ferro para furar e cavar. Outra era redonda para manter o furo circular e à mesma largura. A que tirava a terra era a mais complicada: Cortou um farolim de motorizada ao meio. Fixou essas metades num eixo na ponta duma vara, ligadas por uma mola, como duas mãos viradas uma para a outra. Um dispositivo, acionado por um fio, destrancava a mola e fazia com que as metades se fechassem. Abria as duas metades antes de as introduzir no furo, quando chegava ao fundo puchava o fio para destrancar a mola e apanhava um punhado de terra, que puchava para fora. Por cima da cabeça tinha um suporte que servia de guia às varas que constituiam os cabos das ferramentas. O furo foi ganhando cada vez mais água e dificultando cada vez mais a tiragem da terra. Comprou tubo, com cerca de 20 cm de diâmetro, e entubou-o até ao fundo. Na parte superior fez um gargalo em pedra e cimento, com tampa de metal que ele fez. Colocou-lhe por cima uma roldana e mandou fazer um balde cilíndrico com válvula no fundo, que enche em contacto com a água.
Orgulhava-se de dizer que era uma água boa e fresca...
Melhor que a da torneira!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Para mais tarde recordar: Uma Vida Cheia


A Marta levou algumas peças, ferramentas, para o museu.

Eles gostaram e pediram alguns dados sobre o avô:


Nome: José Manuel
Data de Nascimento: 21-11-1908 (F.17-03-2007)
Local de nascimento: Sítio do Semedeiro
Local de onde vieram as peças: Passadeiras
Freguesia: São Bartolomeu de Messines
Concelho: Silves


Principal actividade, Agricultor: Cerca de 10 hectares entre regadio e sequeiro. Chegou a produzir cerca de 650 arrobas de milho de regadio, por ano (cerca de 10.000 kg). Fazia, sobretudo, agricultura de subsistência: Trigo, batatas, cebolas, alhos, feijão, grão-de-bico, azeite, vinho, cevada, aveia, centeio, tomate, melancia e melão, hortaliças, alfarroba, amendoim, forragens para criação de animais, laranjeiras, sobreiros e eucaliptos. Criava vacas, porcos, burros, mulas, galinhas, coelhos, patos, cães, pombos, etc.
Era um enxertador habilidoso: Raro era o enxerto que não pegava. Tinha formas de enxertar, de anilha, por exemplo, que não veêm nos compêndios da universidade. De cabeça, fazia as contas primeiro que os outros com papel e lápis.
Gostava de caçar a lebre, o coelho, a perdiz, a rola, o melro, etc., com espingarda e esparrela, laço, rede, ratoeira feitos por ele.
Às vezes ia à pesca à Ribeira (de Arade) com covo (que ele próprio fazia), anzol, rede ou tresmalho, e pescava o robalo, a enguia, o achigã e a carpa.
No ano que a Barragem (do Funcho) encheu fez uma jangada com quatro bidões.

Trabalhava a madeira desde a serração à carpintaria: Fez o próprio banco de carpinteiro, portas, janelas, carros de bestas, carros de mão, mesas, cadeiras, armários, camas e ferramentas diversas.
Gostava de trabalhar com metais, sobretudo a fazer ferramentas.

Trabalhava como pedreiro: Ajudou o seu pai a fazer, em taipa, a casa onde com ele viveu e depois, quando casou, fez, igualmente em taipa, a sua própria casa: com sala de entrada, sala de estar, quatro quartos, cozinha, casa de banho e os anexos: celeiro, alpendre, palheiro e currais dos animais, desde os alicerces até ao telhado. Fez o forno do pão. Fez a eira e o poço e empedrou-os. Fez a mina em frente de casa. Fez o poço da várzea, com mina, empedrou-o e fez a casa para o motor e a casa da várzea. Fez a canalização subterrânea na várzea e os tanques para lavar a roupa. Tinha uma pequena barragem na encosta para as águas sanitárias de casa.
Chegou a ir vender aguardente de medronho, com uma besta, ao Alentejo, onde foi vários anos à ceifa. Já depois dos 70 anos, quando deixou de ter animais de carga, tirou a carta de motorizada e conduzia um triciclo a motor que os filhos lhe ofereceram. Com 80 e tal, quando foram viver para Messines, ainda fez sozinho o furo, no quintal, cuja água fresca ele preferia, o forno do pão, e a casita da oficina onde ele passava horas a fazer miniaturas de alfaias agrícolas e a esculpir a cortiça. Também era frequente encontrá-lo a ler os seus livros de meditação e de orações que ele relia desde a juventude. Na Missa do Domingo era fácil encontrá-lo na Igreja, bastava procurar a cabeça mais branquinha.
Foi emigrante, pouco tempo, em França.
Foi casado com a Ti'Piedade com quem festejou os 67 anos de casados. Tiveram cinco filhos, dois rapazes e três raparigas, para além de dois gémeos que não sobreviveram.
Sobreviveu dezoito meses à viuvez. Nesse tempo, em Faro, ainda fez um banco de carpinteiro, uma cadeira com assento tecido em cordel, uma mesa para o grelhador forrada a inox, várias ferramentas e ajudou a fazer a casota do cão. Aprendeu a utilizar o telemóvel.
Este ano ia fazer 99.
Amanhã faz dois meses...

Poema de Vida: Um Testemunho.

Sem comentários,
aqui fica o poema da Ti Ti ao Ti' Zé Moleiro:

Passou na vida
Vivendo
Viveu com intensidade
Amou a todos
Sofrendo
As exigências e a saudade
Falou com sabedoria
Sorriu com paz e alegria
Trabalhou sem se queixar
Foi generoso no dar
Foi aceitando a mudança
Com um sorriso de Esperança
Deixou-nos como
Herança
Além de muita saudade
A Paz e a Serenidade


( Ti Ti, 18-03-2007 )

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Uma Recordação. Um Símbolo.


Gostava de guardar, como recordação, um objecto pessoal do Ti' Zé Moleiro. Um objecto que ele tivesse usado. Um dia perguntei-lhe onde estava o relógio que se tinha avariado. "Está lá para casa". Não tive coragem do lho pedir, pois pareceu-me que outras pessoas o quisessem guardar como recordação. Era de corda, tinha-lhe custado quinhentos mil réis e usara-o mais de trinta anos. O novo, comprado há pouco, era muito parecido.

Naquele Sábado de manhã, quando recebemos a notícia do seu falecimento, procurei um pouco de isolamento, dei a volta à casa, para os lados do forno e, sobre as telhas, apanhei uma pequena chávena de barro. Seria o caneco de Leonardo Boff, 'sacramento do pai'. Mas não me tocou como símbolo, ainda anda no carro.

No dia 4 de Maio, estava a retirar o resto das coisas do alpendre por causa da visita do comprador, e, no lixo que ficou depois de ser retirado o seu banco de carpinteiro, encontrei o seu fio de prumo: Sujo, gasto, o cordel era apenas um coto... mas era uma boa recordação!

Em casa, nessa noite, limpei a madeira, retirei a terra e os restos de cimento do peão, poli-o e coloquei um cordão novo. Agora está junto à sua fotografia no móvel da sala.

Faz-me lembrar a sua verticalidade.
A sua vontade de justiça e de verdade.
A justeza das suas afirmações. A sua visão da vida.
É um bom símbolo para recordar o Ti' Zé Moleiro.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

O Ti' Zé Moleiro - Recordar a Partida


O Ti' Zé Moleiro, assim era conhecido o meu sogro - José Manuel, o seu nome completo - faleceu no Sábado, dia 17 de Março de 2007.
Desde que a minha mãe morreu, já lá vão mais de 40 anos, e o meu irmão Nuno, 20 e tal, nunca uma morte me tinha custado tanto. Tinha-me convencido que estava 'vacinado' contra este tipo de sofrimento. Enganei-me!
Durante uns dias fiquei atordoado. Apanhou-me de surpresa. Sempre pensava que ainda duraria mais uns mesitos.
É verdade que em casa os seus passos eram cada vez mais pequenos. Ultimamente, o gorro sempre na cabeça tentava manter uma temperatura que os pulmões já não conseguiam alimentar. Os rins... claro, os rins, com todos aqueles comprimidos a água era sempre pouca, até pelo trabalho que dava ir à casa de banho. E os diabetes... Cada vez era mais difícil o equilíbrio...!
Ia fazer 99 lá para os finais do ano: a 21 de Novembro. Mesmo assim sempre pensei que se aguentaria mais uns mesitos: Achei demasiado cedo!

"Já os enganei sem querer", dizia ele quando o visitei no hospital com a Rosália e a Marta naquela última 6ª-feira à noite. "Perguntaram-me quando fazia anos e devia-lhes ter dito 14 de Outubro, como está no Bilhete de Identidade". A sua atenção e lucidez não deixavam dúvidas. (Normalmente os pais registavam as crianças mais tarde para não pagarem multa, nunca percebi aquela troca de datas).
A Rosália ajudou-o a jantar: Uma colher a seguir à outra... "Estás com pressa?" Perguntou ele com ar de riso, com um sentido de humor que desconcertava.
A sobremesa parecia um poré de maçã e a Rosália perguntou-lhe se estava boa: "Está doce!" Referiu ele, embora, por causa dos diabetes, sempre seria pouco o açúcar. A Marta levava-lhe umas florzitas do campo. Pegou nelas cheirou-as e reconheceu-as, mas disse que o pessoal do hospital podia não as querer ali. A Marta acabou por pendurar uma ao seu lado, no leito da cama.

A Enfermeira de serviço entrou e perguntou se já tinha jantado, puxou-o mais para a cabeceira e levantou mais as costas. Depois foi buscar um aparelho para medir a tensão. Primeiro ligou-o só ao dedo, depois uma braçadeira acima do cotovelo e depois ligou ainda três eléctrodos no peito. Comentou que estava um pouco irregular. Saiu e voltou com uma espécie de penso que colocou no peito. Disse que era para estabilizar a pulsação. Como ele estava com oxigénio eu perguntei à enfermeira, se ele ficasse melhor, não iria sentir a falta do oxigénio se fosse desligado. Ela explicou que nesse caso o oxigénio é reduzido lentamente ao longo de vários dias. Disse que ele estava com 4 litros de O2 por minuto.
Entretanto a hora da visita tinha chegado ao fim e já não se viam por ali outras visitas.
As despedidas são sempre um até amanhã e eu estava convencido disso!
Mesmo assim voltei atrás para me despedir de novo: "Até amanhã e uma noite descansada!..." Apeteceu-me beijar-lhe a mão, mas acariciei-lha apenas!

Recordo a sua Sabedoria. O seu sentido de Justiça. A sua atenção aos outros. A sua habilidade para trabalhar a madeira e o ferro e a sua inteligência. A sua criatividade. A sua Fé e as suas leituras. A maneira como jogava os três setes. Como sorria...!
Como viveu!
E como morreu!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

(H)À´ Procura. O Ser Humano esse Mi(ni)stério.


O Ser Humano é um mistério!
E, à luz da Fé, apenas se alargam os horizontes do mistério.
O Homem, criado por Deus para ser feliz, encontra-se perante si mesmo e conhece-se, na relação e no confronto com os outros. É uma parte si mesmo, a tentar perceber o todo das suas partes.
O Homem sente-se um ser único, mas constituído por partes (in)distintas. O seu corpo, a parte material, parece estar unicamente programada (geneticamente) para a subsistência e para a sobrevivência individual e da espécie. Está programado para se defender e para cuidar de si: É o seu lado egocêntrico, egoísta, material. Mas a sua realização, ao nível da felicidade interior, baseia-se na relação que estabelece com os que o rodeiam e, sobretudo, na medida em que consegue gerar felicidade à sua volta. Este seu lado espiritual entra frequentemente em conflito com a sua tendência natural para o egoísmo.
Entre estas duas forças uma terceira surge como a servir de árbitro, de bitola, de fiel da balança: A Vontade!
A Vontade é o elo de ligação que harmoniza as suas forças interiores contraditórias. É como se fosse uma terceira parte que dá sentido, realização e felicidade às outras.
Cristo faz-nos a Sua proposta de Felicidade, na Sua comunhão com o Pai, ensina-nos a rezar:
Pai, que a minha vontade seja fazer a tua Vontade.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Ressurreição: Mistério de Fé.(*)


"Acreditar na ressurreição não estava contido na fé com que os discípulos acreditaram em Jesus e na sinceridade com que O seguiram (...) A ressurreição de Jesus foi uma surpresa inaudita de Deus, a exigir uma fé gratuita e desprendida de apoios racionais, só possível com a força de Deus." Da Homilia do Domingo de Páscoa do Patriarca de Lisboa.

Acreditar na Ressurreição -- na de Cristo e na nossa -- é ter a coragem e a ousadia de nos abandonarmos no Amor do Pai. É aceitarmos dar o salto para o inatingível pela inteligência, para o infinito, para a dimensão do espiritual... onde o humano e o divino se entrelaçam.

É aceitar que, para além da nossa inteligência, outra realidade transcendente dá sentido e plena realização à nossa sede e fome de infinito. Essa fome e sede é consequência (e prova?) de termos sido criados à semelhança de Deus: "Deus criou-os -- homem e mulher -- à sua imagem e semelhança os criou".

É uma semente de Deus em cada pessoa: Que em cada um aponta para fora do alcance da sua inteligência e racionalidade.

É acreditar que o humano, aqui e agora, já se entrelaça no divino.
Criado com Adão; recriado em Cristo!
É uma questão de Fé!

"Os próprios Apóstolos e discípulos mais próximos sentiram essa dificuldade."

Sentir-se amado por Deus, saber-se discípulo amado, é a entrada, é a chave para o reconhecer ressuscitado. Racionalmente era mais lógico procurá-lo entre os mortos ou pensar que alguém podia ter roubado o corpo. O discípulo que se reconhece amado, viu e acreditou. (Este ver vê-se melhor com os olhos fechados e no silêncio).
(*) Do Mistério da Fé, de Cristo -- a Palavra -- (com maiúscula), apenas podemos falar com as nossas palavras, com minúscula.

terça-feira, 3 de abril de 2007

A propósito de Astronomia

A Primavera começou a 21 de Março, mais dia menos dia. Depois desse dia, do início da Primavera, uma Lua Cheia veio, foi ontem. O 1º Domingo a seguir à 1ª Lua Cheia será o Domingo de Páscoa. É assim em cada ano. É assim que se determina o Domingo de Páscoa. E é por isso que o Domingo de Páscoa se celebra, em cada ano, num dia diferente.

Esta forma de marcar o Domingo de Páscoa, recorda a saída -- Páscoa -- do Povo Hebreu do Egipto, em que Moisés escolheu a data da 1ª Lua Cheia, depois do início da Primavera, quando não havia ainda muito calor, para se poderem deslocar também de noite, e, digo eu, para aproveitarem as marés vivas da Primavera.

Páscoa continua a ser passagem: Passagem da escravidão a que nos submetemos, à Vida de libertação e de realização que nos é oferecida por Cristo:

É a Páscoa da Ressurreição!

sexta-feira, 16 de março de 2007

Astronomia


Hoje, por sugestão da Marta, vai uma de Astronomia.
Ultimamente as minhas delícias têm sido, ao cair da noite, ver a passagem dos satélites, prever a sua passagem e saber o nome do satélite que se observa.
Para isso, procuro os horários de passagem dos satélites Aqui . Aliás, onde registo cada observação. Este site foi-me sugerido pelo Obsevartório Astonómico Nacional .
Nestes dias Vénus tem sido bem visível, logo ao pôr do Sol, bem acima do horizonte: O Planeta mais brilhante. Logo a seguir aparece Sirius , bem alta, na direcção do Sul. Com a sua magnitude de -1.44 é a Estrela mais brilhante. Depois, à sua direita aparece a Constelação de Órion com os 'Três Reis Magos' ao centro. Mais à esquerda e mais alto surge Saturno exibindo os seus anéis que seria interessante observar (se não me tivessem roubado o telescópio).

E depois...! Depois dá-se umas palmadas nas melgas que são uns serezinhos voadores que gostam de nos apanhar distraídos a olhar o céu.
Ao lado, foto da Lua, em 02-03-2007, quando a sombra da Terra a começava a ocultar. Eu tinha outra foto deste eclipse total, mas não se vê nada!

quarta-feira, 14 de março de 2007

A Felicidade na Família


Na Família, quando fôr necessário dizer alguma coisa desagradável, depois é preciso dizer três agradáveis.
Isto é um trabalho para casa. E é para todos!
Conferência sobre a Família, em Loulé, da Drª Helena Marujo.
Fomentar o bom humor. Criar boa disposição; Ser alegre; Contar anedotas; Dar umas boas gargalhadas: Aumenta o bem-estar na Família.
A Felicidade acrescenta a longevidade em dez anos.
Helena Marujo

sexta-feira, 9 de março de 2007

Com Sumo

Com sumo, hoje?! Nã!
Seco! Sem sumo.
Consumo?! Também não!
Nem para consumir...
Hoje, apenas me consumo!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Realização no dar


As únicas coisas que levamos connosco da vida na terra são aquelas que oferecemos.

Há dois dias que ando a digerir esta.

Quem está perto de quem está para partir, percebe (?)
o que leva quem parte,
e o que fica da partida.

Quem parte leva saudades,

Quem fica saudades tem;

E aquilo que foi partilha

Não morre aqui, nem além.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Que Programa de Vida!


Façam aos outros tudo o que desejariam que eles vos fizessem.
Aqui está o essencial...! (Mt.7,12)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A Liberdade



O exercício da minha Liberdade coloca o meu ser em interferência com o que me rodeia: as coisas, os Outros e Deus.
É pela inteligência que reconheço a minha Liberdade e é pela inteligência que ela deve ser conduzida. A Liberdade integra a dignidade da pessoa. O exercício da Liberdade tem em vista o bem da pessoa, e do que a rodeia. Quando nos deixamos dominar por um impulso não controlado pela Liberdade consciente, perdemos no uso da nossa Liberdade.
A Liberdade tem em vista o Bem próprio, em equilíbrio com o Bem dos Outros.


A Santidade a que somos chamados por Deus, está relacionada com o melhor uso que fazemos da nossa Liberdade.


"Saibam que todas as vezes que fizeram ...,

foi a mim que o fizeram. "(Mt.25,40)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Para a Quaresma e para a Vida


A 'vontade do Pai'
é uma opção de vida estruturante,
uma opção de princípio,
mesmo assim,
auscultada perante cada situação,
em cada vivência.
"Já não sou eu que vivo,
mas é Cristo que vive em mim..."! (Gl 2, 20)
Dizia S. Paulo.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Aproveitameno do calor da água do esgoto.


Hoje li uma notícia aqui sobre o reaproveitamento do calor da água quente.
A água quente que usamos segue directamente para o esgoto quer seja do duche, da banheira, do lavatório ou das máquinas de lavar. A ideia é reaproveitar o calor da água quente que vai para o esgoto.

Quando o canalizador fez a instalação do sistema de água quente, lancei-lhe um desafio:
No sistema do esgoto as águas reunir-se-iam num local por onde passaria o tubo da água fria que alimenta o depósito da água quente.
Assim uma parte do calor seria recuperado pela água fria, numa espécie de permutador. Seria um pré-aquecimento da água do depósito da água quente.

O canalizador achou a ideia interessante, mas... !

Aqui fica um desafio à imaginação e à criatividade.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Madeira: Jardim de Flores


Na Madeira todos se conhecem. É como uma Grande Aldeia, com muitos visitantes. Mas a Madeira é pequena: É menor que o Concelho de Silves, no Algarve! As pessoas vivem entre o medo, porque todos se conhecem, (e se fores do 'contra' estás suj(f)eito...!) e a necessidade de protecção contra o 'papão' do 'contenente'. Jardim já deu provas que nos defende contra o 'contenente' e a gente vota nele ou em quem ele disser!... Sempre!


Se a maioria dos concelhos do Continente tivesse um décimo, um vigésimo, do orçamento da Madeira, fariam flores!... Não admira que a Madeira as faça!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

10-Abafei


Hoje desabafei num e-mail para o PS:


Bom dia

As promessas de que haveria aconselhamento,
período de reflexão,
consultas multidisciplinares de psicólogos, assistentes sociais, médicos, etc.,
foram promessa intencionalmente falsas,
foram mentiras,
foram falsidades,
foram desonestidades,
manhosos,
...
Para arranjar mais uns votos no 'sim' do referendo
o PS foi mentiroso, falso, desonesto.
Por mim basta: Não será tão depressa que terão o meu voto.
Quem alicia e tão depressa se desdiz,
perde o respeito e a confiança do eleitorado...

Passem bem!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

A perfeição faz-se, fazendo!


“Viver é mudar,
e ser perfeito é ter mudado muitas vezes”.
Cardeal J. H. Newman. Citado aqui

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O Referendo (desta vez) disse 'NÃO'.


Quanto às questões ao redor do SIM ao aborto:

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Cala frio


Talvez por ser a 1ª. vez, sobe assim um calafrio pela espinha acima. Não sei se brinque. Se faça humor. Se fale a sério. Talvez acabe por dar para tudo. Mas hoje, como é a 1ª. vez, vai ser a sério.

Em cada manhã há um convite à vida.

A luz dá inicio a um novo dia.

Em cada gota de orvalho há um raio de esperança.

E há laços que se propõem.

Cada dia é um dia ou se aproveita ou se perde.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Este é para ti!

Olá Pai! ;)

Fiz este blog a pensar em ti! Para mostrares a quem quiseres quaisquer ideias que te venham à cabeça, as notícias digeridas, os eventos interessantes, coisas novas ou que ainda estão por inventar... enfim, tudo o que queiras... sempre com muito sumo!

Beijinhos! Feliz Natal!